Terça-feira, 15.04.14

O regime apresentou-se na Gulbenkian para uma sessão laudatória, de elogio aos seus responsáveis. Será que entre um discurso e outro, aquele que teve uma educação ao bom nível da escola do Estado Novo, Durão Barroso, perguntou a Cavaco (e a Passos Coelho), se queriam que dissesse o que sabe sobre o BPN e ainda não disse?

 

As presidenciais estão a cerca de 2 anos de distância, mas Barroso, entretanto desempregado, já demonstrou que é possível fazer-se tudo para conseguir um bom lugar, dentro do regime.

 



Gabriel Carvalho às 12:33 | link do post | comentar

Sexta-feira, 11.04.14

Em tempos deu gosto ouvir Assunção Esteves falar da "liberdade que se faz instituição", discorrer sobre a razão das instituições, o pensamento da luzes. Ouvir, em tempos, falar de luzes e de razão provocou algum contentamento, quando pensar e filosofar é uma necessidade urgente, ainda mais quando sobretudo a razão vai rareando. Por estes dias perde-se a razão, talvez pela excessiva reflexão do sentido de liberdade e da Democracia. Talvez Assunção Esteves, a Presidente da Assembleia da República, que recusou a intervenção da Associação 25 de Abril nas comemorações (ou evocações como alguns vêm tratando) do Dia da Liberdade, venha refletindo sobre estes assuntos nos últimos dias, e esteja esgotada com tanto reflexão, e em três ou quatro palavras perca a razão.

 

Pode parecer anacrónico, mas vai restando pouco de Abril, seja na Democracia social apoucada e cortada, seja em decorrência desta, na Democracia política, ou no comportamento dos nossos representantes governamentais que exigem que louvemos a possibilidade de podermos pensar e expressar, como fez Barreto Xavier, Secretário de Estado da Cultura, na entrega do prémio da Associação Portuguesa de Escritores. Vai restando pouco de Abril. Entre uma ou outra personalidade, um ou outro minguado direito, resta-nos a memória viva de Abril, de quem o fez; resta-nos o ponto de ordem dos militares de Abril; resta-nos a representação da consciência do passado, dando a palavra para o futuro, e que agora não toma a palavra.

 

Não é um problema deles, dr.ª Assunção Esteves, é um problema nosso, da comunidade, e também seu, que foi eleita, e assim tão mal nos representa.

 



Gabriel Carvalho às 12:34 | link do post | comentar

Segunda-feira, 07.04.14

     Nesta excelente reportagem realizada pelo Jornal Público, Conceição Matos e Domingos Abrantes contam-nos os detalhes de uma vida de amor, entrega, resistência, combate e perdão.

     Nas celebrações dos 40 anos da Revolução dos Cravos, a memória histórica tenderá a ser recuperada e readquirida por nós. Este relato integrará, invariavelmente, essa liturgia narrativa de Abril que nos será exposta e da qual guardaremos saudade por não a termos vivido nós próprios. E não é apenas por um sentimento de ausência ou privação de determinadas vivências que aqui trago esta referência. Apercebi-me que um dos poucos ajustes de contas que o Governo não conseguirá levar a cabo é aquele que atenta contra o memorialismo. E reescrevê-lo, decerto uma intenção, não será fácil.

 

 

 

Vincent van Gogh, 1889.



Rui Moreira às 18:48 | link do post | comentar

Terça-feira, 01.04.14

A 9 de Outubro de 2011, o Partido Socialista Francês organizou as suas primeiras eleições primárias, tendo em vista a eleição do candidato à Presidência da República. Militantes e simpatizantes acorreram massivamente às urnas, oferecendo a François Hollande e a Martine Aubry a hipótese de disputarem a segunda volta. Com 5,63% dos votos (aproximadamente 150 mil), Manuel Valls, nascido na Catalunha e conotado com a ala direita do partido, posicionou-se como o quinto candidato mais votado (apenas à frente do presidente do Partido Radical de Esquerda, Jean-Michel Baylet).

 

A 25 de Novembro de 2012, foi a vez do Partido Democrático Italiano, conjuntamente com o Partido Sinistra Ecologia e Libertà e com o Partido Socialista Italiano, adoptar o modelo de eleições primárias abertas a simpatizantes. Neste caso, o objectivo passava por eleger o candidato a Primeiro-Ministro, que disputaria o sufrágio nacional três meses depois. Pier Luigi Bersani venceu ambas as voltas que se sucederam, cabendo a Matteo Renzi, então sindaco de Florença, o lugar de segundo candidato mais votado.

 

Após as eleições Presidenciais Francesas de 2012, Manuel Valls foi nomeado ministro do Interior. Ao longo dos últimos dois anos, notabilizou-se pela intransigência assumida em matérias relacionadas com imigração, o que resultou no aparecimento de casos como o de Leonarda Dibrani. As 27 mil expulsões em 2013 e a criação de zonas de segurança especiais em bairros sensíveis levaram a que Manuel Valls aumentasse a sua popularidade em alguns sectores da Esquerda, mas sobretudo elevasse a sua notoriedade no domínio da Direita. Desta feita, a opção de François Hollande, ao escolher Manuel Valls como o substituto de Jean-Marc Ayrault acabou por não ser completamente surpreendente.

 

O percurso de Matteo Renzi desde a derrota no sufrágio interno, embora tenha sido distinto, acabou por ter o mesmo resultado que o de Manuel Valls. Dono de uma ambição desmedida, o ex-sindaco de Florença viria a ser eleito Secretário Nacional do Partido Democrático em Dezembro de 2013, num acto eleitoral novamente aberto a simpatizantes, onde participaram 2.805.775 votantes (Matteo Renzi recolheu 67,55% das preferências). Após tomar posse e com o intuito de “abrir uma nova fase, através de um novo executivo apoiado pela maioria existente”, Matteo Renzi forçou a demissão do seu correligionário Enrico Letta, até então Primeiro-Ministro Italiano, ocupando posteriormente o seu lugar. No seu programa eleitoral não sufragado pelos cidadãos, constavam propostas como a flexibilização dos despedimentos e da contratação, a redução de 10% nos salários pagos pelas grandes empresas, bem como a reforma da lei eleitoral, que procura retirar poder ao Senado.

 

Mais do que dois candidatos unidos pela participação (e pela consequente derrota) nas primeiras eleições primárias dos partidos de centro-esquerda dos seus Países, Matteo Renzi e Manuel Valls assemelham-se na admiração confessa pela Terceira Via. Se o agora Primeiro-Ministro Francês propôs uma alteração do nome do Partido Socialista, para poder defender sem reservas ideológicas o capitalismo e a competitividade empresarial, o actual Primeiro-Ministro Italiano começou o seu percurso na Democracia Cristã e, posteriormente, continuou-o no Partido Popular. Se Manuel Valls, social-liberal assumido, aprecia o legado de Tony Blair, Matteo Renzi é conhecido como o “Tony Blair Italiano”. Jovens, extremamente ambiciosos, com uma carreira política iniciada na administração local, ambos representam o expoente máximo da nova geração europeia de dirigentes de centro-esquerda.

 

Depois da eclosão da crise do subprime, cedo se percebeu que Francis Fukuyama errara ao anunciar o “fim da história”. No início da crise era expectável a emergência de movimentos alternativos, com capacidade para responder aos desequilíbrios provocados pelo liberalismo desenfreado e pelo capitalismo de casino, que tinham transportado as sociedades pós-modernas para esta situação. Passados 6 anos, parece claro que os Socialistas Europeus não conseguiram apresentar um projecto capaz de substituir, de forma profunda, a direcção austeritária que o Velho Continente tem assumido. Ora no SPD, ora no Partido Democrático, ora no Partido Socialista Francês, a Terceira Via volta a assumir um papel de destaque. A derrota da esquerda, caracterizada por Pedro Nuno Santos no congresso de Braga, não terminou em 2008 e parece prolongar-se indefinidamente. Manuel Valls e Matteo Renzi são apenas os rostos mais recentes da alternativa fracassada. Haverá retorno?



João Moreira de Campos às 22:53 | link do post | comentar

Terça-feira, 18.03.14

Reli hoje uma longa entrevista a Medeiros Ferreira, dada ao jornal Expresso em 2012, e fiquei novamente com a impressão de ter lido um certo testamento político. Tratou-se do testamento de um grande pensador e ator na arte da política, encontrando-se na entrelinhas os contributos de Mazarin a outros mais recentes, que evidentemente leu. Porém, para lá dessas transparências que é possível vislumbrar, estão os contributos próprios, daquilo que acrescenta à arte, aquilo que é verdadeiramente seu, e que não é pouco. Além da habilidade no lidar do comportamento do homem político, ficam o profundo entendimento da Democracia, visível no desassombro e liberdade éticas, a que, aqui e ali, chama de linha formalista, numa opção democrática na vivência do regime após a Revolução de Abril, mas também e sobretudo em tempos anti-democráticos, em que as liberdades estão cercadas. A linha formalista, é no caso de Medeiros Ferreira, aquele entendimento democrático, que mesmo na sombra da ditadura, o leva a agir desassombrado, em insubmissão de quem vive verdadeiramente livre. Não foi o único, mas é caso raro. Optando por essa sua linha, código ético e bom exemplo de republicanismo praticado, que pode bem ser a resposta para a questão tantas vezes levantada nas inúmeras conferências que recentemente evocaram o centenário da República sobre o que é afinal a ética republicana. Na dificuldade da resposta, por vezes algo temerosa, fica a sugestão: é o exemplo ético dos valores.

 

Vem isto a propósito das lágrimas da Senhora Deputada da Assembléia da República, Maria José Castelo Branco, eleita pelo círculo do Porto nas últimas eleições legislativas, nas listas do PPD-PSD. As lágrimas terão ocorrido porque se viu pressionada a mudar de opinião de uma primeira para uma segunda oportunidade na votação da coadoção de crianças por casais do mesmo sexo. Não tenho dúvidas quanto ao tortuoso e violento descontrolo de sentimentos que levou ao humano ato de chorar, violência desencadeada pelas direções do seu partido (poderíamos falar de outros) que não teve o menor pudor em ditar e retirar a liberdade à escolhida pelos eleitores cidadãos. De resto, e focando no objeto da votação, o recuo civilizacional vem a par de outros que vamos vivendo, e mostram mentalidades mesquinhas e desumanas mas, registe-se, as lágrimas podem também ter servido para expiar remorsos, contudo não anularam o ato de votar contráriamente o que antes tinha sido votado favoravelmente, nem apagam o desrespeito aos cidadãos, ao parlamento, à democracia, e ademais, aos partidos. A liberdade de militar num partido, está na compreensão dessa relação e naquilo que se aceita ser restringido. A consequência em respeito por si e pelos cidadãos e instituições, é só uma: o pedido de demissão irrevogável, no velho e ansião sentido da palavra.

 



Gabriel Carvalho às 22:05 | link do post | comentar

Quinta-feira, 13.03.14

 

Fotografia: Adriano Miranda/Público

(Fotografia: Adriano Miranda/Público)

 

Aníbal Cavaco Silva tem feito do apelo ao consenso uma espécie de reza pessoal diária. Toda a ocasião lhe tem parecido apropriada para expor esta sua doutrina de perversão da ideia de Democracia, de afastamento do confronto de ideias, de negação da pluralidade. Caminhará algo próxima de um Fukuyama e de o “fim da História” de que o próprio já se arrependeu de, um dia, ter decretado. Nada disto, porém, é novo em Cavaco, já lhe conhecíamos frases modelares do pensamento como a que resulta da imagética de duas pessoas sérias que, com a mesma informação, chegam necessariamente a conclusões semelhantes. Num mundo híbrido e sem valores seria assim. A realidade desmente estas ficções e fixações.

 

O Presidente da República, que deveria procurar ser de todos os Portugueses, não se liberta do seu pequeno mundo e da sua mundividência. No prefácio do mais recente dos seus “Roteiros”, nova prece. Dias depois de vir a público esse prefácio surge um Manifesto transversal na sociedade Portuguesa, et voilá o tão almejado consenso, da Esquerda à Direita, do movimento sindical ao empresarial, todos se revêm num denominador comum, reestruturar a dívida para crescer sustentadamente. Cavaco não defrauda os seus pergaminhos, ignora o manifesto e dois signatários desse Manifesto que integravam o grupo dos seus conselheiros da Casa Civil foram exonerados dessas funções no dia da apresentação do Manifesto. Este consenso, com senso, abarca uma amostra significativa da sociedade portuguesa, mas não serve a Cavaco. Tal como o Estado estava para Luís XIV, para Cavaco “O consenso sou eu”.



Frederico Bessa Cardoso às 21:08 | link do post | comentar

Quinta-feira, 27.02.14

Rubra CPLP ao rubro,

De machado pontiagudo

De língua oficial Espanhola

E da nota, que compra tudo

 

Rubra CPLP ao rubro,

Asilo da pena de morte

Onde a rainha finança

Torna Amado príncipe consorte

 

Rubra CPLP ao rubro,

Da apatia consentida

Onde a anuência de Machete

Cala a gente oprimida

 

Rubra, da cor do diamante

Em sangue garimpado

Sustentáculo de um regime

Barbaramente consagrado

 



João Moreira de Campos às 19:54 | link do post | comentar

Quarta-feira, 26.02.14

Sobre a situação na Ucrânia o Partido Comunista Português tem duas coisas a dizer, neste dia de hoje: por um lado a preocupação com o avanço e poder da extrema-direita - repartida por nacionalistas, xenófobos, anti-semitas, racistas e neo-nazis -, preocupação que partilho por inteiro; por outro, o seu característico e persistente anacronismo em relação ao tempo e aos acontecimentos registados na história, que me escuso demonstrar, e que vão da queda do Muro de Berlim ao colapso da União Soviética. Passaram já cerca de 25 anos.

 

No fundo, o Partido Comunista Português, faz o papel dos filhos do filme «Good Bye, Lenin!» ao tentar ocultar da sua mãe uma mudança revolucionária. Esta, casada com a pátria socialista, fica internada num hospital durante o período que levou à queda do Muro de Berlim e ao fim do sistema comunista na antiga República Democrática Alemã. Na sua escolástica, no seu léxico, guerreiros contra o colonialismo, o imperialismo e o capitalismo do Ocidente, permanecem fiéis defensores do Pacto de Varsóvia, tementes e reverentes à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. 

 

Com isto não se pense e ridicularize ao ponto de pensar que o Partido Comunista Português não vive no mesmo mundo da informação e comunicação em que todos vivemos, ainda que não o entendamos por exclusão. Como no modelo da velha União Soviética, mas também no mundo da vivência política comunista, a lógica é a de extremar posições: de um lado a extrema direita e com ela o capitalismo, a União Europeia e os EUA, e do outro o velho ideal de Lenine, corporizado no antigo mundo comunista, temporariamente derrotado pelos interesses do grande capital e do imperialismo ocidental. A lógica da oposição à extrema-direita pode parecer perigosa, e é, mas é a única que permite a este partido manter a esperança de ganhar terreno, é a única capaz de subsistir em lógica extremada permitindo-lhe corporizar-se como alternativa.

 

 

 

 



Gabriel Carvalho às 22:46 | link do post | comentar

Segunda-feira, 24.02.14

Há coisas com graça, e tem graça a quantidade e o coro de vozes do partido, que mentalizando-se dizem, cada vez menos em surdina: «gosto do Seguro desde pequenino».

 



Gabriel Carvalho às 13:50 | link do post | comentar

Sexta-feira, 21.02.14

«Muitas das intervenções de figuras proeminentes do PSD confudem o eleitorado que não faz uma distinção muito assinalável entre aquilo que é a mensagem política da direção e dos dirigentes do PSD no ativo daqueles outros que, não tendo essa responsabilidade, ainda assim são figuras do PSD, são imagens do PSD».

 

«A vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor.»

 

As afirmações são de Luís Montenegro, deputado e líder parlamentar do PSD, militante do PSD, disse-as na preparação logística do Congresso do PSD a decorrer este fim-de-semana no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Não sei se refletiu acerca do que disse, talvez, mas a sua formação pessoal, política e democrática não lhe permite mais que isso. Irremediavelmente é a imagem do PSD não é mais que isto, esta lamentável indigência (se alguém discordar que o diga).

 

A vida dos partidos não está a viver os melhores dias, as mudanças da sua organização são urgentes, e o seu papel deve ser preservado, contudo o problema está em ser este partido que diz estas coisas a estar no governo, confundindo o partido com o país e o Estado, desafiando quem destoa dessa sua lógica, com promessas de lugares futuros.

 

De resto, o papaguear começa dentro de minutos, o espremimento da laranja dará em nada, num verdadeiro inconseguimento.

 

 

 



Gabriel Carvalho às 19:23 | link do post | comentar | ver comentários (2)


Ana Moura Pinto

Frederico Aleixo

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Gabriel Carvalho

Gonçalo Clemente Silva

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