Domingo, 3 de Março de 2013
Adoptando as palavras do grande Miguel de Unamuno, «pelo tempo que eu viva viverá em mim a visão» de uma larga praça cheia, cantando valente e novamente, a «Grândola, vila morena». Um laço de comunidade, como se todos estivessem de mãos dadas, sem as reservas de classes e condição, o canto colectivo, no tom mais elevado a que a agressão obriga, e naquela praça se expande e ecoa ao longe num murmúrio que desperta a consciência. Um murmúrio tornado grito violento nos ouvidos de um governo que não respeita o seu povo.

 

Os números apenas são matéria dos que pensam controlar, no reduto da sua insignificância.

 

Sob o signo da poesia, saiu uma vez mais à rua uma sociedade, consciente da razão histórica antiga e presente, a azinheira que já não sabia a sua idade. Dispondo das armas do corpo (A Terceira Miséria, Hélia Correia), que são a voz e o pensamento, age sabendo quem mais ordena. Sob o signo da poesia, um poema:

 

Grandolando sem cessar,
Empunhando na voz firme
A justa palavra certa,
Certeira arma aberta
Na direcção daqueles,
A quem é preciso lembrar,
Do povo que guardando
Não mais esquece,
Ter fundeada no peito
A razão de grandolar.

 



publicado por Gabriel Carvalho às 22:22 | link do post | comentar

1 comentário:
De celestinoxp a 4 de Março de 2013 às 14:05
olá,
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