Domingo, 27 de Outubro de 2013

O grande problema da Europa é que está inundada daquilo a que Gramsci apelidava de pequena política, i.e. mera administração da conjuntura. Poucas são as vozes mediáticas que procuram construir a contra-hegemonia no sentido da transformação económica. A grande política.



publicado por Frederico Aleixo às 19:30 | link do post | comentar

Sexta-feira, 25 de Outubro de 2013

Vivemos cerca de duas décadas e meia em que os partidos socialistas, trabalhistas e sociais-democratas ocuparam amplamente o poder um pouco por todo o mundo, sobretudo o ocidental. Tratava e trata-se de uma social-democracia diversa da sua origem, mais flexível e permeável ao avanço dos mercados e interesses financeiros, e da sua permiscuidade com o poder. Estamos ainda no tempo da Terceira Via. Olhemos à nossa volta e vejamos onde isso nos trouxe. Não quero com isto dizer que foram estes os partidos e os seus dirigentes os responsáveis, já que repartem, muito bem divididas, essas responsabilidades com os outros partidos, sobretudo de matriz democrata-cristã. Isto se quiseremos falar de matrizes e ideologias, porque de facto, sobretudo as ideologias, foram largamente dispensadas.

 

Para se tornarem mais apelativos aos olhos, os partidos lá se foram vendendo, segundo as regras do bom marketimg. Novas ideias, nova imagem, e lá apareceu a rosa, a tornar tudo mais próximo e afectuoso, mais consensual. O punho, vai servindo para segurar a rosa. Não necessita de muito esforço, a leve rosa, rápido se tiram os espinhos, e se acomoda o esforço.

 



publicado por Gabriel Carvalho às 19:29 | link do post | comentar

Sábado, 19 de Outubro de 2013

     Ninguém os levou a sério. Eram um conjunto de míudos com ambições políticas. De um partido que se escreve social-democrata partiram para um Governo revolucionário e colaboracionista de interesses internacionais. Deliberadamente, enganaram todos os que puderam na procura de legitimação democrática. Hoje, de olhos arregalados perante os resultados que produziram, imputam ao Tribunal Constitucional as consequências da ilegitimidade em que fundaram a execução das suas políticas.

     Imaginemos que estou imbuído de má vontade ou que serei um sectário, principal justificação da comunidade de comentadores face à gratuitidade de críticas. Analisemos então, sem outra leitura que não a empírica, os resultados deste Governo nos diferentes níveis:

 

     - O servilismo internacional (partindo do princípio de que o Memorando não serve os interesses do país):

     O Memorando de Entendimento deveria ter sido discutido no perímetro de Bruxelas. Como sabemos, alterações à sua forma ou conteúdo só nesse espaço se poderiam ter dado. O Governo preferiu discutí-lo internamente, arremessando ao Partido Socialista as suas implicações. Porém, a clarividência com que metamorfoseou Angela Merkel das eleições legislativas de 2011 para a sua visita a Portugal em 2012 revela, mais uma vez, a leviandade, talvez propositada, com que geriu esta matéria.

     Ao invés de exigir a sua alteração em sede própria, o caminho escolhido foi antes o do servilismo, da concordância com os funcionários da Troika, não permitindo sequer uma discussão política séria em torno das opções tomadas. Servilismo que se viria a tornar "protectorado" pela voz de Portas. Parafraseando Pacheco Pereira: "em protectorados existem dois tipos de indivíduos: os resistentes e os colaboracionistas". O Governo assim escolheu.

 

     - A desestruturação ideológica da Administração Pública e a inconsequência dos cortes orçamentais:


    Desprovidos de rigor e/ou base científica, muitos estudos sobre a Administração Pública surgiram. Indicando o excesso de funcionários e a ininteligência do funcionamento do sistema, rapidamente sumiram quando dados revelados pela OCDE indicavam que:

1) Em Portugal, o número médio de trabalhadores pelas várias administrações é inferior ao verificado no resto da UE;

2) O horário de trabalho e a sua relação com a remuneração estão igualmente abaixo da média europeia;

3) Os recursos utilizados pelo Estado per capita na manutenção dos seus serviços é consideravelmente inferior aos de países igualmente desenvolvidos. 

     Após o falhanço destes estudos encomendados fazerem escola (assim o foi junto da população, excluíndo uma cartilha de economistas devidamente providenciada), o Governo decidiu, à luz de algumas verdades feitas nunca provadas, proceder à desestruturação ideológica da Administração Pública. Este atentado, verificado no Orçamento do Estado para 2014, ataca todos os portugueses, das crianças no infantário aos viúvos abandonados em casa. A racionalização de recursos é maioritariamente acente em pressupostos salariais. Pressupostos que comprometem a estrutura de prestação de serviços do Estado, assim como a filosofia inerente ao contrato social celebrado com os cidadãos pela Constituição da República Portuguesa e o Estado. Esta revolução é ideológica, apesar de o Governo o desmentir diariamente. Para o conseguir, transformou os funcionários públicos no seu cavalo de batalha, colocando-os no epicentro de uma concepção ideológica radical. Combateu corporações e sindicatos, grupos e classes. Tudo isto em nome do ajustamento, naturalmente.

     A proposta de revisão constitucional apresentada há alguns anos por Passos Coelho assim também o denuncia, somando-se às sucessivas propostas de Orçamento que visam dissipar os balanços sociais mínimos na sociedade portuguesa. Os cortes orçamentais programados vêm corroborar, para além de uma convicção maquiavélica, a inconsequência desta política. E exemplo disso é o estado da Grécia e dos seus cidadãos.

     Esta foi sempre a intenção do Governo: Estado Mínimo. Com a condescendência das instituições internacionais, ainda melhor. 

 

     - As reformas silenciadas pelas intenções de destruição:


     Durante estes dois anos de actividade, fomos brindados com os mais singelos anúncios de "reformas estruturais" por parte dos vários ministros. Tais acontecimentos acompanhariam a solvabilidade financeira do Estado. Aqui fica uma listagem daquelas concluídas com sucesso:

1) Reduções salariais;

2) Flexibilidade laboral e precarização das relações de força entre trabalhadores e patronato;

3) Instalação do medo para controlo dos ânimos;

4) Estado de assalto permanente relativo a direitos e obrigações contratualizados.

 

     - Tribunal Constitucional, o bode expiatório:


     Também a Comissão Europeia concebe as decisões do Tribunal Constitucional como criminosas. Depois do Governo, faltavam apenas alguns coloquiais internacionais tomarem partido pela carroça fascista que atropela tudo e todos. Num país sem a devida oposição ao Governo, valha-nos um Tribunal Constitucional não politizado e transparente, salvaguarda da réstia de pão que muitos vão comendo. Em seu nome, serão pedidos mais resgates financeiros e exigidos mais sacrifícios, apesar da separação de poderes não permitir a qualquer juiz a assinatura de qualquer contrato em nome dos governos.

 

 

     Para Passos Coelho, tudo se perde e nada se reforma. Um Governo inútil, desprovido de sentido de Estado e preparação política, vingativo no seu ajuste de contas com as conquistas de Abril. Por isso estive ao lado da CGTP neste dia. E estarei nos restantes, com o objectivo comum de desocupar o Estado de fascistas.

 



publicado por Rui Moreira às 21:58 | link do post | comentar

Quinta-feira, 17 de Outubro de 2013

Mário Soares tem um percurso que fala por si. Nele percorreu grande parte da história do séc. XX português, e ainda marcou esta primeira década e meia do XXI. Desde cedo combateu o autoritarismo, o fascismo, a arbitrariedade desse poder, as injustiças e a miséria a que esse poder execrável votou o povo português.


Mesmo para quem a Democracia nada diz, a ele se deve a sua devolução e fortalecimento. Felizmente não foi o único a contá-la, infelizmente nem todos conseguiu trazer a ela.


Agora, que a Democracia pouco mais é que uma formalidade, e o país volta à miséria e pobreza, que alguns escolhem como virtude inspiradora, vale-nos novamente Mário Soares, a reposicionar as questões essenciais do país, as da dignidade humana.


Na sua intervenção cívica, não dá descanso, é certo. Que continue a não dar, a quem dele não merece. Toma partido. É assim que dita a conduta de um homem correto. Coloca-se do lado dos mais fracos e vulneráveis. A cobardia é o papel da cobra e do abutre.


Parecerá este um texto de defesa de Mário Soares. Admito que possa parecer, mas de facto não é necessário, e nem o próprio o precisa fazer.

 



publicado por Gabriel Carvalho às 20:33 | link do post | comentar

(Watchman, What of the Night?, 1968 - Roberto Matta)

 


Não, este Orçamento não vai resolver os nossos problemas, tirar-nos da crise ou garantir condições para o crescimento económico!

 

Mas mais que isso…

 

Não o problema deste Orçamento não é que as contas estão mal feitas, que estão, é toda a sua orientação política!

 

Não o problema não é que esta austeridade seja estúpida, que é, é que ela é austeridade!

 

Não, não é bom que a maioria da austeridade seja alcançada com cortes do lado da despesa, num cataclismo social como o que enfrentamos devíamos estar a fazer justamente o oposto!

 

Não, não é verdade que a austeridade seja necessária, ela é o contrário daquilo que nós precisamos no curto, médio e longo prazo!

 

Não, não é verdade que um país deva ser gerido como uma empresa ou uma família, é infantil pensar isso. De resto, já tivemos essa experiência durante décadas de Salazarismo e não correu bem!

 

Não, nós não tínhamos um problema de finanças públicas quando estas crises começaram, nós tínhamos e temos um problema de política monetária!

 

Não, não faz sentido pôr um povo a viver na miséria em prol da criação de riqueza que se acumula em mãos alheias, isso não cumpre objectivo nenhum!

 

Por fim: Não, não é verdade que não haja dinheiro. Já não falando no facto de o Orçamento estar equilibrado se não contarmos os pagamentos de juros (portanto somos capazes de assegurar tudo aquilo que é verdadeiramente importante que o Estado assegure), o dinheiro existe e toda a gente que olhar para a opulência acumulada no topo, nos actuais tempos de crise extrema, percebe isso se não se recusar a vê-lo!

 

 

…pronto, já desabafei aquilo que me ia na alma depois de passar uns dias a ouvir as críticas pífias que estão a ser feita a esta política de genocídio social.



publicado por Gonçalo Clemente Silva às 20:13 | link do post | comentar

Terça-feira, 15 de Outubro de 2013


"A Última Ceia", Leonardo da Vinci.


publicado por Rui Moreira às 21:31 | link do post | comentar

Sábado, 12 de Outubro de 2013

 

Passam hoje 41 anos da morte de Ribeiro Santos, assassinado pela PIDE.

 

Há 41 anos, a 12 de Outubro de 1972, Ribeiro Santos, aluno de Direito da FDL e activista estudantil, participava numa reunião de alunos universitários de Lisboa em Económicas (o ‘meu’ actual ISEG), quando a reunião foi interrompida com a entrada da PIDE que, disparando depois sobre vários alunos, atingiu mortalmente Ribeiro Santos. Não foi a primeira nem a última vítima da ditadura criminosa que se impôs no nosso país durante décadas.

 

É este regime assassino, e os seus governos, que o respeitável representante da nossa respeitável e democrática direita, Nuno Melo, entende que foi melhor que os governos do José Sócrates. Perante uma afirmação destas está tudo dito, não tudo dito sobre Sócrates ou a ditadura de Salazar e Caetano, mas sobre Nuno Melo, as suas opiniões e, por extensão, sobre a respeitável direita que nos governa…

 

Que nunca nos apaguem a memória do regime assassino que atormentou a nossa pátria!

Que nunca nos esqueçamos de heróis como Ribeiro Santos!

Que nunca deixemos que os esbirros do presente tentem branquear as acções dos esbirros do passado!

 

In memoriam, José António Ribeiro Santos



publicado por Gonçalo Clemente Silva às 20:10 | link do post | comentar

Terça-feira, 8 de Outubro de 2013

Luís Amado considerou hoje que "não nos podemos esquecer que nós temos no parlamento forças revolucionárias". Referia-se às de esquerda. Eu considero hoje também, que já tive Luís Amado em melhor consideração. Não concordando sempre, mas apreciando as intervenções, a relação inverteu-se no momento em que o senhor deixou o debate de ideias livre, e passou a servir a mesma agenda daqueles que têm minado os nossos dias.

 

Lendo estas afirmações não consigo deixar de afastar da minha memória auditiva os discursos à Emissora Nacional no tempo da outra senhora. Claro está, com as devidas diferenças. Porém, logo surge outra memória, a do medo do comunismo, não vão eles lembrar-se de comer criancinhas ao pequeno almoço, e imagine-se opor-se ao estabelecido.

 

Enfim, deixemos Luís Amado, que mais não faz do que vestir um libré. A ameaça da revolução à esquerda (que não se vê ou sente) é o simples disfarce, na transformação revolucionária do Estado construído desde 25 de Abril de 1974. É a substituição na revolução de todos, pela de alguns. É a substituição da igualdade de oportunidades, pelo darwinismo social. É a substituíção de uma democracia social e de direitos, pela supressão destes e a servidão. Na Holanda este processo (revolucionário) tem agora o suave nome de "sociedade participativa", e que mais não é que o nosso conhecido "salve-se quem puder".

 

Para lá destes soundbytes, importa sair do torpor e interiorizar que a verdadeira revolução já está em marcha, e serve-se no nosso país da direita - e esta deixa-se servir. O leitmotiv é o dinheiro e o lucro e é para já a verdadeira e derradeira vitória do capitalismo. Até que um dia surja a revolta.


 

 



publicado por Gabriel Carvalho às 23:13 | link do post | comentar

Sábado, 5 de Outubro de 2013

Viva a República!

 

Viva os percursores, os implantadores e construtores da República! Viva os seus restauradores e resgatadores, de 25 de Abril de 1974!

 

Abaixo os seus detratores e os que usando o seu nome, e vestindo as suas vestes, a diminuem ou anulam!

 



publicado por Gabriel Carvalho às 15:47 | link do post | comentar

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