Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

 

A coisa mais fantástica neste lapso de luz a que chamamos vida é que ela é tudo menos certa, previsível e, de vez em quando, lá nos arranca um enorme sorriso. O segredo é não esperar ou lutar sempre com a resiliência de quem nada espera e tudo anseia, nem que não seja para hoje, nem para amanhã. Será para depois, virá tarde, mas será fenomenal.

 

Confesso que adormeci convencida de um calculável chumbo do projecto de lei do Partido Socialista que apresentado na Assembleia da República ambicionava a co-adopção pelo cônjuge ou unido de facto que até agora não possuía qualquer laço legal.

 

Falemos de realidade. Existem inúmeras crianças, cada vez mais e mais, não importa o quanto determinados sectores tentem fechas os olhos e fingir tratar-se de pura reflexão teórica, biológicas ou adoptadas, que possuem um vínculo legal apenas a um dos membros de um casal de pessoas do mesmo sexo. Basta pensar, tentar imaginar, o que será para uma criança destas em caso de a pessoa com a qual têm o vínculo morre. O que será para alguém que é real, para a qual aquela família sempre foi a sua família, de repente ter de perceber porque raio não pode continuar com a outra mãe ou o outro pai.

 

É com um certo brilho nos olhos que hoje sei que mais nenhuma criança passará por esse processo. Que hoje se deu mais um passo na luta por uma efectiva igualdade entre tod@s.

 

Um passo intermédio de uma luta concreta que ainda não tem um fim à vista.

Sou a favor da adopção plena por casais do mesmo sexo. Se o voto estivesse nas minhas mãos, os projectos do BE e do PEV teriam sido aprovados.

É o que ambicionamos. É o que queremos. E é o que um dia conseguiremos. Se pelo meio, numa tentativa de aos poucos ir retirando os restantes da sua zona de conforto, temos de dar passos menores, aceito. Entre isso e nada, prefiro passos intermédios. Mas hoje re-começa a luta pelos restantes.

 

E não me iludo, mesmo num dia tão surpreendente. Isto do activismo e da luta por uma sociedade Igual, materialmente Igual, tal como sempre deveria ter acontecido, é das actividades mais frustrantes, desgastantes, imprevisíveis, duradouras. Mas no fim é das mais gratificantes. Mesmo que pareça sempre uma luta interminável.

 

Enquanto penso, estudo e reflicto tristemente e ansiosamente por tudo o que ainda falta conseguir nesta sociedade, vou ali sorrir um pouco e já volto!

 



publicado por Catarina Castanheira às 15:58 | link do post | comentar

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