Terça-feira, 28 de Maio de 2013




CENSURA – RELATÓRIO Nº 6282 (7 DE FEVEREIRO DE 1959)  RELATIVO A “QUANDO OS LOBOS UIVAM” DE AQUILINO RIBEIRO, no blogue Ephemera - Biblioteca e Arquivo de José Pacheco Pereira.


"Quando os Lobos Uivam"


«O autor intitula este livro de romance, mas com mais propriedade deveria chamar-lhe de romance panfletário, porque todo ele foi arquitectado para fazer um odioso ataque à actual situação política.

Escrito numa prosa viril, classifica o governo de "piratas" e descreve várias Autoridades, Funcionários, Polícia, Guarda Republicana e Tribunais em termos indignos e insultuosos.

Um interrogatório num posto da G.N.R. e uma audiência dum Tribunal Plenário, são focados de uma forma infamantes.

São desnecessárias mais citações, porque basta folhear o livro, encontra-se logo matéria censurável em profusão.

É evidente que, se o original tivesse sido submetido a censura prévia, não teria sido autorizado, porque é, talvez, a obra de maior ataque político que ultimamente tenho lido.

Sucede, porém, estou disso certo, que já devem ter sido vendidos muitas centenas de exemplares, e muitos outros também, já devem ter passado a fronteira, por isso, deixo ao esclarecido critério de V. Exa., decidir se nesta altura, será de boa política mandar apreender o livro, fazendo-lhe (...)»


Com base no relatório, lê-se, foram tomas das seguintes decisões:


« 1) Não autorizada a reedição;

   2) Não permitidas críticas em imprensa;

   3) Apreender os poucos exemplares que, possivelmente, existam (...)»


Despachado assinado pelo censor.


publicado por Gabriel Carvalho às 16:16 | link do post | comentar

2 comentários:
De Prosa viril? a 28 de Maio de 2013 às 21:14
há pelo menos mais de 500 primeiras edições assinadas pelo autor

logo não devem ter apreendido muitos

e a venda pela bertrand esgotou quase no fim de 1958

dos exemplares editados restavam menos de 100 a 31 de dezembro de 1958 em armazém

é consultar os registos da bertrand

se ainda não foram pró lixo
como os da sá da costa

o aquilino sempre vendeu bem no natal
excepto 1996 e seguintes


De Gabriel Carvalho a 28 de Maio de 2013 às 22:54
Pena não terem sido vendidos mais exemplares.


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