Quarta-feira, 5 de Junho de 2013

Número de desempregados colossal, falências, empobrecimento generalizado, exclusão social, crescimento do trabalho mal retribuído e com poucos direitos sociais, retrocessos presentes e futuros na educação e saúde, emigração generalizada de jovens e menos jovens, investimento na formação de pessoas desperdiçado, sonhos liquidados, futuro sem sentido, a esperança a mudar de cor.

 

Incompetência, impreparação, sede de poder, inconsciência e insensibilidade, submissão, ausência de voz, silêncio, divisão, instigação, incultura, má formação, ignorância.

 

Os primeiros são as consequências dos segundos, e aconteceram nos últimos dois anos, contudo, o Governo decide sair à rua com novo discurso, festejando dois anos de governação, brandindo os impropérios europeus do sucesso da nossa desgraça. Com certeza que este não é um hiato na história do país, em que todas as variáveis reproduzam exactamente este espaço temporal, afirmá-lo seria desonesto. Porém, é para todos claro que aqueles são os resultados das opções e da receita que o Governo escolheu, mesmo contra todas as promessas eleitorais e as esperanças dos portugueses.

 

Um primeiro-ministro a chamar piegas ao povo a que pertence e o elegeu, é paradigmático e diz bem da desqualificação moral de que padece. Porventura quereria governar outro povo, à sua imagem auto-reflectiva - não sabendo nós o que vê. Vá então.

 

A (DIS)SOLUÇÃO

Depois da revolta de 17 de Junho

Mandou o secretário da Associação de Escritores

Distribuir panfletos na Stalinalee

Nos quais se podia ler que o Povo

Perdera levianamente a confiança do Governo

E só a poderia reconquistar

Trabalhando a dobrar. Pois não seria

Então mais fácil que o Governo

Dissolvesse o Povo e

Elegesse outro?

 

Bertolt Brecht, Elegias de Buckow.

 



publicado por Gabriel Carvalho às 23:45 | link do post | comentar

Catarina Castanheira

Fábio Serranito

Frederico Aleixo

Frederico Bessa Cardoso

Gabriel Carvalho

Gonçalo Clemente Silva

João Moreira de Campos

Pedro Silveira

Rui Moreira

posts recentes

Entre 'o tudo e o nada' n...

Le Portugal a vol d'oisea...

Recentrar (e simplificar)...

Ser ou não ser legítimo, ...

O PS não deve aliar-se à ...

(Pelo menos) cinco (irrit...

Neon-liberais de pacotilh...

Piketty dá-nos em que pen...

Ideias de certa forma sub...

Ideias de certa forma sub...

arquivos

Janeiro 2016

Outubro 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012