Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2012

 

Venho por este meio demonstrar a minha inquietação. Não só pela perfídia classe governante deste país, não só pela crise e não só pelo futuro que ao povo pertence se desejar pelo menos tê-lo. Transtorna-me o vácuo e os patrões do situacionismo que, ora sofrem de partidite aguda, ora entopem o agendamento mediático com fait-divers e, porque não, com mediocridade. Em momentos excepcionais da dialéctica intrínseca dos povos impõe-se ardor e crítica do espírito do tempo. Um mínimo de bom-senso é suficiente para percebê-lo. Custa-me ver que certos interlocutores com visibilidade mediática quanto baste façam do seu uso um desperdício de tempo para nós, cidadãos e cidadãs.

 

No dia de ontem tive acesso a um pedaço de incomensurável demagogia, a degeneração da democracia categorizada por Aristóteles. Ele sabia bem o que escrevia ao contrário do(s) autor(es) da resposta à Carta Aberta que pede, e bem, a demissão do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. Este documento é fruto do matrimónio entre falácias e sofismas.

 

A resposta da Juventude Social-Democrata transparece a amargura de quem se sente traída e abandonada em pleno altar. Após convite para a sua Universidade de Verão e tendo em conta o seu passado de governação em sinergia com o FMI, como se atreve o Dr. Mário Soares a pedir a demissão do seu querido e fanático líder de Governo? Eles perguntam-se como é que o seu plano não funcionou. Como é que não conseguiram colar a intervenção de 1983 a esta e obrigar o PS assumir também todas as medidas estúpidas deste Governo? O transtorno é tal que se sentem na obrigação de citar o Rei de Espanha num dos episódios mais tristes da Casa Real Espanhola: «porque não te calas?». Uma citação ao nível do que ainda viria a ler: putrefacto.

 

Mas toda esta raiva finalmente libertada não tem limite. Logo de seguida dizem que «não é lícito recusar em apoiar um combate que está para lá das ideologias e dos partidos, porque se insere na defesa da democracia, da liberdade e da justiça social, que são património comum de todos os verdadeiros patriotas. Trata-se, em suma, de defender o país e o regime». Enfim, descodificando: “nós somos donos da verdade e apenas há um caminho! O próprio Fukuyama já tinha alertado para o Fim da História. A democracia é a inevitabilidade do FMI e dos restantes membros da Troika que tanto têm feito pelos países alvo de intervenção. Não há ideologias. Temos de nos sujeitar à fome, miséria, precariedade e pagar a dívida da banca e juros agiotas. Só assim cresceremos”. Cresce a dívida pública mas diminui a noção do ridículo. Em seguida, num exercício que me faz suspeitar de complexo de superioridade ou de psicose política, a dita juventude política arma-se de moralismo bacoco e desafia Soares a abdicar de apoios à fundação, da sua reforma e das suas regalias. Só não percebo porque personalizam o ataque a Soares quando outros nomes bem insuspeitos também o assinam.

 

Penso que a estrutura de jovens do maior partido da coligação não percebe o essencial do coro de críticas. A questão não é que Troika queremos, mas sim que política. E nesta questão não existe hierarquia patriótica ou interesses superiores. Quem estabelece os interesses é a classe governante eleita, e neste caso é composta por secretários de Estado da Troika que necessitam injectar fundos na banca privada, cientista que criou o Frankenstein da dívida privada. Daí termos de aguentar tudo, segundo Ulrich.   

 

Eles querem que nos calemos. Mas eu, assim como muitos dos que se opõem a esta política, recuso-me veementemente. E acrescento que direcciono a crítica a todos aqueles que não pretendem uma alternativa ao memorando. Para finalizar, devo ainda ressalvar que assim como o Rei Juan Carlos mandou calar Chávez quando este falava do fascismo e colaboracionismo de Aznar no Golpe de Estado que tentou derrubá-lo em 2002, a JSD também pede silêncio para que a mentira da ajuda financeira prossiga a sua verdadeira intenção: realizar um golpe de Estado sobre a Constituição da República Portuguesa.



publicado por Frederico Aleixo às 04:49 | link do post | comentar

Catarina Castanheira

Fábio Serranito

Frederico Aleixo

Frederico Bessa Cardoso

Gabriel Carvalho

Gonçalo Clemente Silva

João Moreira de Campos

Pedro Silveira

Rui Moreira

posts recentes

Entre 'o tudo e o nada' n...

Le Portugal a vol d'oisea...

Recentrar (e simplificar)...

Ser ou não ser legítimo, ...

O PS não deve aliar-se à ...

(Pelo menos) cinco (irrit...

Neon-liberais de pacotilh...

Piketty dá-nos em que pen...

Ideias de certa forma sub...

Ideias de certa forma sub...

arquivos

Janeiro 2016

Outubro 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012