Quarta-feira, 18 de Junho de 2014

Muito se tem falado de intelectualidade por estes dias. Mais propriamente de intelectuais, como se eles fizessem os nossos dias, como se preenchessem todo aquele espaço do pensar, como se houvesse no nosso país um espaço considerável destes no seio das elites, como se essas elites fossem vistas enquanto perspetiva positivista do entendimento da sociedade que aspira à ascensão de todos os seus elementos às caraterísticas desse grupo e enquanto perspectiva de uma elite constituída pelos elementos de uma sociedade com um elevado grau de conhecimento, de reflexão, de cultura e de envolvimento e participação cívica, e contrariamente à perspetiva da elite constituída por endinheirados, crente que o seu grande contributo é a exibição e o seu contributo cívico, o compromisso de gerar dinheiro, seja por que via for, ou ainda constituída pelos bem pensantes, divinamente iluminados para a pesada tarefa de iluminar os caminhos da nação.

 

Infelizmente vêem-se poucos intelectuais. Uns abdicam de pensar, mesmo em atividades tão reflexivas como a política, por exemplo; outros ocupam o espaço da reflexão pela promoção individual. Claro que vão tendo leitores e observadores (mea culpa e expiação), e o dia a dia procura o inevitável entretenimento. Mas daí a chamar a alguns, intelectuais?!

 

Vem isto a propósito da referida saída do armário daqueles a que chamam os intelectuais de direita. Segundo artigos muito industriosos, a repressão a que foram sujeitos durante 40 anos, às mãos de uma esquerda hegemónica e quase autoritária acabou. Agora sentem-se livres de dizer o que pensam e o que querem, e de participar ativamente, porque, dizem esses mesmos artigos, são atualmente adversários à altura. Tais artigos dão até exemplos desses intelectuais: Henrique Raposo, por exemplo. Fica à vista a noção de intelectualidade, que fará de um qualquer camilo lourenço, um escritor de livros ou de um indivíduo de oralidade diletante um brilhante intelectual da sua geração.

 

Alguns intelectuais de direita não estavam nos armários, ficaram nas gavetas.

 

Entre outros, na imagem estão Raymond Aron e Jean-Paul Sartre, em 1979.

 



publicado por Gabriel Carvalho às 00:18 | link do post | comentar

Catarina Castanheira

Fábio Serranito

Frederico Aleixo

Frederico Bessa Cardoso

Gabriel Carvalho

Gonçalo Clemente Silva

João Moreira de Campos

Pedro Silveira

Rui Moreira

posts recentes

Entre 'o tudo e o nada' n...

Le Portugal a vol d'oisea...

Recentrar (e simplificar)...

Ser ou não ser legítimo, ...

O PS não deve aliar-se à ...

(Pelo menos) cinco (irrit...

Neon-liberais de pacotilh...

Piketty dá-nos em que pen...

Ideias de certa forma sub...

Ideias de certa forma sub...

arquivos

Janeiro 2016

Outubro 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012