Sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

 

Não, não me refiro à esquizofrenia dos neoliberais que acham que faz imenso sentido uma empresa financeira em dificuldades ser protegida dos credores para se salvar de uma bancarrota provocada por gestão criminosa, mas acham inaceitável uma protecção do Estado em relação aos seus credores para se salvar de uma austeridade resultante de uma crise causada pela banca. Sobre isso falei no final do texto anterior.

Também não me refiro à solução banco bom/banco mau encontrada, à imagem do Dr. Jekyll e Mr. Hyde, esse assunto já foi analisado (e satirizado) à exaustão.

 

 

A esquizofrenia de que falo é o resultado aparente da minha opinião sobre todo este caso do BES (aqui e aqui): concordo com a solução encontrada, embora concorde também com as críticas feitas pela maioria dos que criticam essa mesma solução (este é o mais recente exemplo); discordo das justificações dadas por aqueles que, sendo responsáveis pela mesma solução que eu acho boa, se portaram de forma inaceitável em todo o processo até chegar aí, provavelmente contribuindo para causar o problema que agora tentam resolver.

Confuso? Sim!

Esquizofrénico? Acho que não.

Simplesmente, nenhum dos críticos da actuação do Governo, entidades europeias e reguladores, que muito mal estiveram neste processo, consegue propor (que eu conheça), uma vez chegados a este ponto, uma solução melhor.

Por outro lado, aqueles que acabaram por solucionar da forma menos má este problema não têm qualquer justificação para a sua incúria e, à excepção dos responsáveis pela gestão danosa, são, por acção ou amissão, provavelmente os maiores culpados pelo estado a que o BES chegou.

 

A lição a retirar é: qualquer solução para resgatar um banco é má e será sempre má, mas inevitável, e esta parece-me das menos más; aquilo que deve, portanto, concentrar a nossa atenção e os nossos esforços é evitar que se chegue a essa situação, para isso precisamos de alterar a relação entre o Estado e os mercados, principalmente os financeiros, dando mais poder ao primeiro para regular (ou mesmo controlar) os segundos. Isso é que é o fundamental e nisso (também) acho que concordo com os críticos da solução que defendo.

O pior que nos poderia acontecer seria, como já é habitual, ficarmos meses a discutir aquilo que já está decidido e para o qual ninguém tem alternativa, atirando culpas de uns para os outros, sem resolver nenhuma das condições estruturais (porque o são) que criaram este problema.



publicado por Gonçalo Clemente Silva às 18:05 | link do post | comentar

Catarina Castanheira

Fábio Serranito

Frederico Aleixo

Frederico Bessa Cardoso

Gabriel Carvalho

Gonçalo Clemente Silva

João Moreira de Campos

Pedro Silveira

Rui Moreira

posts recentes

Entre 'o tudo e o nada' n...

Le Portugal a vol d'oisea...

Recentrar (e simplificar)...

Ser ou não ser legítimo, ...

O PS não deve aliar-se à ...

(Pelo menos) cinco (irrit...

Neon-liberais de pacotilh...

Piketty dá-nos em que pen...

Ideias de certa forma sub...

Ideias de certa forma sub...

arquivos

Janeiro 2016

Outubro 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012