Terça-feira, 28 de Abril de 2015

 

 

Antes de mais, não percebo a comparação de Thomas Piketty com Karl Marx. A ser feita uma comparação, faria muito mais sentido compará-lo com John Maynard Keynes, que (de forma semelhante com Piketty) nunca foi comunista (foi até anti comunista), nem sequer socialista, era um membro do partido Liberal.

 

Piketty esteve em Portugal e, além de esgotar a lotação de três auditórios na fundação Calouste Gulbenkian, encontrou-se com diversos líderes da esquerda moderada, de António Costa a Sampaio da Nóvoa, passando por Rui Tavares.

Deu também uma excelente entrevista em que torna claras muitas coisas sobre a crise e a actual situação europeia e portuguesa. Ficam aqui uns excertos que me pareceram particularmente propícios como semente para a reflexão:

 

«Os políticos são escravos da opinião pública. Por isso o importante é contribuir para transformar a opinião pública dominante, mais do que convencer os políticos.»

 

«O que é realmente dramático é que transformámos uma crise que nasceu no sector financeiro privado americano numa crise de dívida pública, apesar de, inicialmente, a Zona Euro não ter mais dívida do que os EUA, o Reino Unido ou o Japão. E conseguimos, apenas por causa das nossas más instituições e más decisões macroeconómicas, criar uma crise a partir do nada.»

 

«Não vamos encontrar o nosso futuro na Europa se todos nos tornarmos paraísos fiscais. Sei que em Portugal há esta discussão de baixar o IRC de 21% para 17%, a seguir vai ser de 17% para 10% e depois de 10% para zero. Se continuamos por esse caminho, daqui a 10 ou 20 anos não haverá impostos sobre as empresas na Europa.»

 

«Falaram-me [o PS] do programa que apresentaram para as eleições. Parece-me ter medidas muito razoáveis. [...] estão a pensar criar um imposto sobre as heranças mais elevadas. Não digo que tenha de haver um imposto muito pesado, mas penso que esta medida vai no sentido certo. Se se recebe 100 mil euros com o trabalho, paga-se impostos. Não faz sentido receber um milhão, 10 milhões de euros sem trabalhar e não pagar nada.»

 

«O que o líder do PS me disse foi que têm um plano A e um plano B. O plano A é assumir que seguimos as regras do Pacto e o plano B é tentar mudar as regras na Europa. Para mim faz sentido ter estas duas abordagens.»

 

Há muito que ficou de fora e vale mesmo a pena ler a entrevista na íntegra.



publicado por Gonçalo Clemente Silva às 21:04 | link do post | comentar

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