Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2014

Entre as proverbiais frases de Passos Coelho sobre aquilo que ele acha dever ser a vida dos portugueses e alguns dos aforismos de Salazar, poucas diferenças por vezes se encontram. Os conselhos do que deve ser a vida dos outros são diários, e entra por onde certamente pretende que entrem, pelas casas e "as vidas dos outros". Sem recurso a provérbios e aforismos está o consorte de governo, Paulo Portas, de estilo sofisticado consegue fazer a súmula dos filmes que vê e dos livros que lê e é capaz de criar, de ser inventivo. Sobre Portas é isso, e claro está, tudo o resto. Dele sobram afirmações que a cada nova oportunidade desdiz, as estratégias para afastar os opositores, o percurso no Ministério da Defesa, a nova significação da palavra "irrevogável" que passou a ter um sentido diametralmente oposto, as correntes que tornam o partido democrata-cristão em algo plástico e moldável, algo não de cariz popular (rapidamente suplantará o PSD e a sua base de apoio), mas antes de carácter populista, que é aquilo que Paulo Portas verdadeiramente é e representa. Mais do que outro no nosso país, Portas é o populista e o demagogo.

 

A Espanha e ao congresso do Partido Popular espanhol foi buscar aquilo que o seu ego gosta de soltar, o populismo e a demagogia; o palco no estrangeiro serve para lhe ser elogiada a dimensão internacional; os discursos insuflados servem a fuga aos temas do dia-a-dia e da realidade indisfarçável da vida na Lusitânia, no território que lhe oferece as histórias para as tiradas sobre a independência e o protetorado. Ao contrário de Durão Barroso, que na bancada do PSD na Assembleia da República disse um dia a Guterres que sabia que chegaria a primeiro-ministro, Paulo Portas nunca disse onde quer chegar, nem o fará. A especulação leva-nos a adivinhar que quer chegar longe, ao patamar alcançado pelos populistas.

 

Há coisas que por familiaridade e cordialidade dizemos na casa de outros. As convicções são só para metade do mundo e uma avé-maria e um padre-nosso expiam os pecados e os maus pensamentos. Familiar e cordial, conhecedor da raiz do PP espanhol, das suas origens, e dos debates que ocorrem em Espanha, agradeceu o palco, de facto, a todos: "por isso, creio que é compreensível uma palavra de reconhecimento a Rajoy, Aznar, Fraga", disse, reconhecido.

 



publicado por Gabriel Carvalho às 21:01 | link do post | comentar

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