Sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

 

Nos textos anteriores (aqui, aqui e aqui) já abordei as razões que, ao longo dos últimos anos, conduziram à crise no PS, que já existia e da qual a candidatura de Costa é apenas a solução encontrada para a resolver. Não posso, no entanto, fechar este ‘ciclo’ de textos sem abordar a causa próxima do surgimento desta crise, principalmente para desmentir a narrativa que Seguro tem construído ao longo dos últimos meses sobre a crise no PS.

 

Acima de tudo, e para que fique claro, é importante desmentir o argumento de que a crise foi criada por Costa e que o PS estava bem depois das eleições europeias, sem que houvesse razão para Costa avançar. Acontece (feliz coincidência imagino) que vivemos na era da informação e isso, por si só, permite-nos, sem grande esforço, pôr a nu todo o problema que se criou com o resultado pífio do PS nas europeias. As reacções pela parte da maioria aos resultados eleitorais estavam em todos os jornais, de forma completamente descarada, como no caso do Expresso, sob o título ‘PSD e CDS fazem figas por Seguro’:

«"Grande vitória de António José Seguro, foi uma grande vitória do líder socialista", era a mensagem repetida à exaustão. No dia em que a coligação voltou a acreditar que pode ganhar 2015, manter o atual líder socialista passou a ser ainda mais vital para que a equação funcione.»

Ou ainda, no caso do Público, sob o título ‘Resultados das europeias dão alento à maioria e reforçam coligação pré-legislativas’:

«Os poucos pontos de distância que separaram o PS do PSD/CDS nestas europeias deram uma nova esperança à coligação de poder ganhar as próximas legislativas.»

 

Seguro pode arranjar as justificações que entender, pode argumentar até à exaustão com o ‘comparativamente’ bom resultado dos Socialistas em Portugal, mas há coisas indesmentíveis. Uma delas é o mau resultado do PS nas eleições europeias, evidente ao ponto do PS ser enxovalhado em público com estas notícias sobre a vontade da maioria ‘segurar’ (passe a repetição) o líder do PS, para que tivesse hipótese de ganhar em 2015.

Não foi só a ‘oposição interna’ que achou o resultado mau, aliás os únicos que acompanham Seguro ao ver com bons olhos o resultado do PS são mesmo os partidos da maioria.

 

Sejamos claros, nem sequer foram os resultados eleitorais que criaram a crise no PS, quem criou a crise no PS foi Seguro e o seu péssimo mandato enquanto Secretário-Geral. Os resultados das europeias meramente puseram ‘às claras’ aquilo que muitos de nós já tinham visto. Depois disso a campanha de Seguro (que em nome da elevação me abstenho de aqui qualificar), os truques de secretaria e todas as manobras que foram feitas apenas reforçam a urgência daquilo que tinha sido claro e motivam o pedido que Costa fez ontem e hoje: tem de haver resultado claro de rejeição, já não só destes últimos três anos, mas de toda esta forma de estar na política.

 

Juntando tudo isto à esperança que Costa devolve ao PS, encontra-se a razão pela qual o voto na candidatura de Costa não é só uma boa aposta, é uma necessidade. Costa trouxe de novo ao PS ambição e vontade, mas trouxe de volta ao PS uma grande parte do PS. Não me refiro à malta do Sócrates, refiro-me a uma boa parte do PS que nem sequer apoiou Sócrates.

Para mim que sou daquilo que se chama ‘ala Esquerda’, mas que pode bem melhor ser descrito como a ala Sampaísta-Ferrista do PS (de onde Costa também provém, ao contrário de Sócrates e Seguro), Costa traz de novo todos nós, não para o PS de onde nunca saímos, mas para uma participação cheia de energia e esperança que (pelo menos eu) já não se sentia desde 2004. Não é por acaso que tantos dos maiores vultos do PS apoiam Costa (desde Soares, aos próprios Sampaio e Ferro Rodrigues).

Mas Costa traz mais, com ele vem toda uma nova geração empenhada em mudar a política a economia e a sociedade, juntando o idealismo, que tanto tem faltado, à qualidade política.

Por tudo isto o Duarte Cordeiro teve toda a razão em afirmar, ontem na Aula Magna: "Estas eleições não são só as eleições de António Costa, são as nossas eleições"

 

Domingo, vamos ganhar o PS, recuperar a confiança dos Portugueses e mudar a política.

 

 



publicado por Gonçalo Clemente Silva às 23:42 | link do post | comentar

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