Terça-feira, 7 de Maio de 2013

É Portugal governado pelo Doutor Faustroll e supervisionado pelo Rei Ubu que, dito em francês, Ubu Roi, parece muito mais pomposo e charmant. É Portugal governado pela razão dos pombos. A patafísica é a douta ciência do pombo ou do cagalhão. Artística pela mão do Alfred Jerry ou do Boris Vian, criminosa nas mãos do Doutor Fraustroll e do Rei Ubu que são quem temos. Também podemos dizer Ubu Roi, já sabem, que é muito mais pomposo e charmant. Isto não tem ciência nenhuma, destruir um país, quanto mais destruir Portugal que é viveiro de pombos... Quando os pombos deixam cair, lá de cima, os dados juntos com a merda e gritam 'Alea Jacta Est', o Rei Ubu, mostrando desacordo, diz antes 'Les jeux sont faits' e releva em itálico. A Patafísica chegou à política e com resultados maravilhosos que comprovam as teorias mais arrojadas: 'usa a imaginação para resolver os problemas do quotidiano'. Criando outros, teorizou o Doutor Faustroll. Outros não que estes são bons e tem brinde, reflectiu o grande Ubu.

 

Para quê, dirão os realistas sinistros, tentar encontrar uma linha de raciocínio e uma visão para o país nos actos deste governo? Está tudo explicado acima. Estamos a ser governados pelos pais da patafísica politicó-nuclear!



publicado por José António Borges às 21:40 | link do post | comentar

Domingo, 5 de Maio de 2013

 

Apresenta-se uma medida, com o objectivo expresso de fazer com que o valor global do pacote apresentado exceda o necessário, para… poder deixar cair essa mesma medida.



publicado por Gonçalo Clemente Silva às 20:36 | link do post | comentar

Sábado, 4 de Maio de 2013


O anúncio de novas medidas por parte de Passos Coelho não constituiu em si uma grande surpresa. A insistência na austeridade pela via dos ataques à função pública e aos reformados já havia sido denunciada pelas tipografias da imprensa portuguesa. Sobrava apenas a curiosidade quanto ao texto e o enquadramento. O arqui-inimigo guardião do constitucionalismo foi o primeiro a ser visado como responsável pelo agravamento dos cortes no sector público; seguiu-se a responsabilidade perante os compromissos europeus e a venda de um moinho de vento a que os técnicos denominam de "fase pós-troika". Diante de tamanha preocupação com a saúde económica portuguesa, ficou por saber o motivo pelo qual o primeiro-ministro tanto queria se equiparar à Irlanda. Depois de confirmar dados estatísticos, apesar de Portugal ter iniciado o seu programa de ajustamento cerca de meio ano depois, apercebi-me que são países cujos resultados, embora não sejam idênticos, são próximos nas suas consequências sociais. Observemos alguns dados do FMI. Estes foram obtidos através de fontes fidedignas e oficiais, apesar dos números alusivos a 2012 referentes à dívida  pública irlandesa em percentagem do PIB, o PIB português a preços constantes e a taxa de desemprego portuguesa serem fruto de estimativas de técnicos especializados conforme consta na legenda.

Aqueles que são considerados casos de sucesso por parte dos organismos que compõem a Troika, nem por isso apresentam um quadro digno de tanto optimismo - sentimento aliás, alimentado pela ânsia de acertar na fórmula da austeridade -, nem parecem configurar exemplo a seguir. Tanto Portugal como a Irlanda assistiram a uma subida significativa da sua dívida pública. Se no primeiro caso, em 2010, a sua dívida pública correspondia a 93% do PIB, em 2012 esta ascendeu aos 123%; por sua vez, a Irlanda no que concerne à mesma variável e o mesmo horizonte temporal, passou de 92% a 117%. Em relação à taxa de desemprego, ambos terminaram 2012 com números alarmantes, já que Portugal verificou uma subida de 6% em relação a 2010; conquanto, no caso irlandês, ainda que a taxa não tenha disparado como a homóloga portuguesa, parece excessivo falar-se em sucesso num país com 14,7% de desempregados. As semelhanças entre ambos os casos parece terminar com a evolução dos valores do Produto Interno Bruto a preços constantes. Com efeito, enquanto o PIB irlandês cresce, o português encolhe. No entanto, este variação tida como positiva esconde uma outra realidade bem presente neste estudo. Segundo o Central Statistics Office, existem neste momento mais de 700 mil irlandeses em risco de pobreza no país (16%), estando o orçamento de muitas destas famílias dependente das transferências sociais. Visto que o estudo só abrange até 2011 e os Orçamentos de Estado da Irlanda para 2012 e 2013 comprometeram-se em cortes significativos na Segurança Social, os efeitos no empobrecimento da população podem atingir uma dimensão bastante preocupante.

Então de que Irlanda fala a Troika? A Irlanda que ruma favoravelmente aos mercados mas atomiza a sua sociedade. É por isso que somos convizinhos. Nesse caso, o Governo cumpre bem o seu papel como capataz da União Europeia e do FMI. Os memorandos sempre tiveram os mesmos objectivos: sacrificar o crescimento e os direitos dos cidadãos e cidadãs, supostamente em nome de uma dívida que não pára de crescer. Mas entretanto a banca salvou-se, foram privatizados serviços públicos e reduzido o peso do Estado na economia. Os salários foram reduzidos e as leis laborais flexibilizadas. Já para não falar na Europa a duas velocidades. Afinal, a austeridade funciona mesmo.






publicado por Frederico Aleixo às 23:30 | link do post | comentar

 

Não é normal escrever aqui este tipo de coisas, mas hoje é o dia de Star Wars e eu sou um enorme fã.

Transcrevo aqui, em jeito de celebração, o Código Jedi, que é extraordinário (e quem diz o contrário é tolo).

 

Não há emoção, há a paz.

Não há ignorância, há o conhecimento.

Não há paixão, há serenidade.

Não há caos, há harmonia.

Não há morte, há a Força.

 

 Feliz dia de Star Wars a todos :)



publicado por Gonçalo Clemente Silva às 15:03 | link do post | comentar

Quinta-feira, 2 de Maio de 2013

Leio nos jornais a vinda a Portugal do Primeiro-Ministro húngaro Viktor Órban, amanhã 3 de Maio, para participar num dos debates das Conferências do Estoril, conferências essas que juntam um conjunto de personalidades, algumas das mais distintas que se podem ter. Contudo, entre essas mais distintas, arranjaram forma de passar a mensagem que a organização e os altos patrocinadores pretendem difundida, convidando por exemplo o ex-Primeiro Ministro irlandês John Bruton ou o mordomo da senhora Merkel, Herman Van Rompuy, ou então, não se percebendo bem qual o contexto, introduzem na normalidade o autocrata húngaro Viktor Orbán.

 

Nas fotografias ficará a bela paisagem da “Riviera Portuguesa” como fundo.

 

É inexplicável perceber o que cá vem dizer. Será que nos vem falar dos extraordinários avanços democráticos que a Hungria vive? Vem falar do seu esforço na promoção do pluralismo no sistema político húngaro? Vem falar dos avanços na liberdade de imprensa? Vem, por fim, falar da sua incansável luta contra os neo-fascistas, anti-ciganos e anti-semitas do Jobbik? Não me parece.

 

Como sabemos, Budapeste, a capital húngara, é dividida pelo rio Danúbio, que tem a uma margem o bairro de nome Buda, e na outra o de Peste. Tal como um rio, também a Democracia tem deve ter as margens bem definidas e um caudal limpo. O seu contrário causa a destruição.

 



publicado por Gabriel Carvalho às 22:26 | link do post | comentar

Os cientistas políticos e da geopolítica, mais os filósofos e os que não desistem de filosofar, pensam e elaboram teorias acerca da queda e decadência da civilização ocidental, em especial do seu composto de Europa, que de facto demonstra diariamente o quanto se afasta do seu esplendor, e diga-se, para registo de memória, do pouco tempo que nos separa das suas atrocidades, tão afastadas da civilização e já no campo da barbárie mais aberrante que a história pôde registar.

 

Deposta a barbárie, e analisando o que interessa de progresso, e realmente importa ao dia-a-dia dos membros do conjunto civilizacional, os últimos 60 anos podem e poderão ser analisados na história como o período em que o conjunto dos Estados mais cooperaram num sentido comum, caminhando até romanticamente em torno de ideais superiores e admiráveis, verdadeiros factos civilizadores, naquilo que a civilização tem de mais nobre.

 

Diz-se de uma pessoa que é civilizada. Dizê-lo das instituições europeias e de um conjunto alargado de líderes por essa Europa fora, serem civilizados, embora o possam ser no trato, cada vez menos o parecem nas decisões que tomam. Que o digam os trabalhadores e o projecto outrora de ideais superiores e admirável. Vão ficando, em diferentes doses nacionais, os recuos nos direitos dos trabalhadores, e no direito e acesso ao trabalho, nas garantias e direitos de dignidade na aposentação, na dignidade em geral, e claro está, o recuo na coesão das sociedades e na democracia que lhes dá os contornos.

 

 

Não foi por acaso que um dia Margaret Thatcher disse, que aquilo que é entendido por sociedade não existe (“There is no such thing as society”). Aos interesses da estratégia de lucro neo-liberal, a promoção do indivíduo e do individualismo, são o instrumento que rompe os laços e impedem o livre-arbítrio e a competição selvática, que ao contrário do apregoado não são liberdade, mas antes submissão, exploração e as regras da força. A barbárie portanto.

 

Das forças políticas progressistas dos trabalhistas, socialistas e sociais-democratas europeus já se sabia, e vai-se abordando, o período dos anos de 1990 e dos de 2000, em que renunciaram ao seu papel único na história e cederam aos interesses da alta finança e das grandes corporações. Felizmente, e apesar do andamento devagar devagarinho, o estádio deste campo político vai-se alterando, reposicionando-se onde deve. Esperemos apenas que não seja tarde, como em outros momentos da história foi.

 

Já quanto às forças políticas afetas à democracia cristã europeia, de longa e importante tradição, pouco se diz das suas cedências. Porém não podem passar em branco, até porque foram talvez os primeiros a ceder, como se viu com Thatcher, e atualmente se revela tão gritante a renúncia àquele que é o seu papel, também ele único. Justamente se deverá dizer que em nome de um futuro que já não o é, desapareceram ou estão ocultos.

 

Descrente e não crente, mas com esperança, devo ressalvar as palavras de Francisco, o papa, hoje, a propósito do Dia do Trabalhador, que parece levar a sério a sucessão àquele que teve como profissão ser pescador, e espera-se que influencie a visão e o pensamento cristãos e a corrente política democrata cristã:

 

"Um título que me surpreendeu no dia da tragédia do Bangladesh foi 'Vivia com 38 euros por mês'. Esta era a forma como eram pagas as pessoas que morreram. Isto é chamado trabalho escravo."

 

“Penso nas pessoas, não apenas nos jovens, que estão sem empregos muitas vezes por uma visão económica da sociedade fundada no lucro egoísta, para além das regras de justiça social.”

 

De todos, democratas cristãos ou socialistas democratas, se espera que não renunciem, e contrariem este tempo «em que os homens renunciam.» (Sophia de Mello Breyner Andresen).

 



publicado por Gabriel Carvalho às 01:34 | link do post | comentar

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