Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

Antigamente, quando as cidades estavam sediadas por exércitos inimigos e, na iminência de uma derrota e consequente destruição, declaravam (por amor ou cobardia, ninguém sabe bem) as cidades 'cidades abertas'. Foi assim em Paris em 1941 ou Roma em 1944. Ontem, na entrevista do senhor primeiro-ministro (somos um povo de respeito e o respeitinho é uma coisa muito bonita), ficamos com a perfeita noção de ter-se tornado Portugal num país aberto. Aberto para a fuga da juventude, aberto para a entrada dos especuladores e dos vampiros. Mas o país continua a saque e temos várias gerações em marcha, sobretudo as que ainda tem força para continuar ou começar noutro lado. Todos os dias sabemos de alguém que não consegue mais e é difícil permanecer sereno e tranquilo, confiante e esperançoso.

 

Hoje, um conjunto de setenta e oito pessoas assinaram um manifesto onde pedem a demissão do senhor primeiro-ministro (somos um povo de respeito e o respeitinho é uma coisa muito bonita). Noutros tempos, disse Afonso Costa em 1907 nas Cortes que, por muito menos do que D. Carlos tinha feito rolou a cabeça de Luis XVI no cadafalso. Não era verdade, mas foi muito bem dito. É sempre uma questão de paciência e, como perguntava Cícero a Catilina: até quando enfim, oh Passos Coelho, continuarás a abusar da nossa?

 

Isto já não é um país, é uma vila franca!



publicado por José António Borges às 18:51 | link do post

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